quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

MOMENTO COM A PALAVRA DE DEUS 15.02.17



+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 8,22-26
Naquele tempo:
22 Jesus e seus discípulos chegaram a Betsaida.
Algumas pessoas trouxeram-lhe um cego
e pediram a Jesus que tocasse nele.
23 Jesus pegou o cego pela mão,
levou-o para fora do povoado,
cuspiu nos olhos dele,
colocou as mãos sobre ele, e perguntou:
'Estás vendo alguma coisa?'
24O homem levantou os olhos e disse:
'Estou vendo os homens.
Eles parecem árvores que andam.'
25Então Jesus colocou de novo as mãos sobre os olhos dele
e ele passou a enxergar claramente.
Ficou curado,
e enxergava todas as coisas com nitidez.
26Jesus mandou o homem ir para casa,
e lhe disse: 'Não entres no povoado!'
Palavra da Salvação.
Com essa passagem do evangelho de hoje se cumpre a profecia de Isaias no capítulo 35,5-6: “Os olhos do cego se desgrudarão, os ouvidos do surdo se abrirão, o coxo saltará como cervo, a língua do mudo cantará; porque brotou água no deserto, torrentes na estepe”.
Esse pequeno trecho da profecia de Isaias tem como tema principal a volta a Sião, uma volta dos exilados que sofriam na escravidão. Assim como os cânticos do servo sofredor o Messias vai se identificando com o sofrimento dos oprimidos. Nesse trecho de hoje do evangelho de São Marcos as necessidades reaparecem na vida de outros tantos sofredores que às vezes são conduzidos por outros, que às vezes nem conseguem se aproximares de Jesus por falta de oportunidades.
A cura do cego de hoje acontece em duas etapas, não era cego de nascença, pois soube identificar as figuras como árvores, no entanto, a cura acontece de forma gradativa, assim como um verdadeiro processo de fé e conversão. Jesus, o rosto da misericórdia do Pai vai assumindo os passos dos sofredores na nossa própria história e elevando gradativamente a fé dos que dele se aproximam com confiança.
Um dia abençoado a todos.
Pe. Felipe Ribeiro – Paróquia de São Benedito 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A VIDA NA CONTRAMÃO, A REALIDADE DO SUICÍDIO




A vida é dom precioso de Deus e altar da dignidade maior, a dignidade humana. Mas, na arte de viver, acumula-se uma avalanche de acontecimentos, processos, descasos e indiferenças que, assombrosamente, estão na contramão desse sublime dom. Entre as lamentáveis situações estão os cenários degradantes da exclusão social, frutos da mesquinhez, da falta de sentido autêntico de cidadania e dos famigerados esquemas de corrupção. A lista de acontecimentos que ameaçam a vida é enorme e demanda providências urgentes, redobrada atenção e ações mais incidentes. É preciso proteger esse precioso dom de Deus em todas as suas etapas, da fecundação ao declínio com a morte natural. Particularmente, merece redobrada atenção de todos – e políticas públicas incidentes – um grave problema: o suicídio. Falar sobre o tema é um tabu que precisa ser vencido, para que cada pessoa possa colaborar com a saúde pública, em compromisso irrestrito com a vida.
O primeiro passo é ter a coragem para falar sobre o assunto. Isso é fundamental para disseminar estratégias de prevenção. A estatística oficial apresenta a preocupante dimensão do problema. Diariamente, 32 brasileiros morrem vítimas de suicídio, número que supera o de óbitos causados pela AIDS e por vários tipos de câncer. Para despertar a atenção de todos para essa realidade, celebrou-se, no sábado, 10 de setembro, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Durante todo o mês, são intensificadas ações de combate a esse mal silencioso, escondido por preconceito e vergonha, que impedem a identificação do problema, a percepção de comportamentos depressivos em pessoas próximas, sintomas que levam ao suicídio.
Fale, argumente e reflita sobre o suicídio
Compartilhar o assunto no dia a dia – na família, nos ambientes de trabalho, nos círculos religiosos, no mundo da educação, nos mais diversos lugares – pode contribuir, decisivamente para salvar vidas, recuperar pessoas e evitar que esse mal silencioso consolide-se como epidemia.
O suicídio é grave problema que atinge adultos, jovens, inclusive adolescentes e crianças, deixando feridas incuráveis no coração de famílias. Todos devem aprender sempre mais sobre os sintomas que indicam o risco iminente desse mal para, quando necessário, poder intervir e ajudar a salvar vidas, recuperá-las, reconduzindo pessoas para a saudável convivência familiar e a adequada inserção social. Cada pessoa deve se sentir convocada a contribuir com projetos que promovam o dom da vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde, de cada dez casos de suicídio, nove poderiam ser evitados se houvesse adequada prática de prevenção.
Por isso, é preciso unir esforços. Aliar a coragem espiritual e humana com profunda sensibilidade social para acabar com o tabu que inviabiliza falar sobre o assunto. Vencer bloqueios nos diálogos em família, com amigos, colegas de trabalho, nas relações que constituem a convivência social e religiosa. Também é preciso lutar pela configuração de políticas públicas que contribuam, de maneira decisiva, para prevenir o suicídio. Há um largo horizonte de medidas e procedimentos a serem adotados para evitar esse grave problema, o que inclui, desde investimentos para se conhecer melhor o cérebro, seus complexos e indomináveis mecanismos de funcionamento, para se realizar as necessárias intervenções farmacológicas, até o remédio indispensável e eficaz da espiritualidade.
Ofereça oração, carinho e diálogo
É grave desconsiderar um mal que pode atingir a todos. Não se restringe a uma faixa etária específica, pois inclui crianças, adolescentes, jovens e adultos – muitas vezes afogados num turbilhão de escolhas e solicitações das quais não conseguem dar conta -, até idosos, enjaulados no ostracismo da solidão. Atinge, também, pessoas das mais diversas condições sociais. Essa consideração é comprovada pela estatística e mostra que são necessárias providências urgentes para se promover a boa saúde mental. Isso inclui construir condições sociais que não sejam peso e submetam pessoas a situações de fragilidade extrema, levando-as ao desespero que as faz desistir de viver. É hora de escuta atenciosa das associações e instituições terapêuticas capazes de qualificar cada pessoa no enfrentamento desse monstro destruidor – o suicídio. Também é urgente e prioritário trabalhar para oferecer a cada pessoa recursos humanísticos e espirituais que contribuam para a administração do dom da vida.
Assim, será possível promover o engajamento em programas e projetos que tenham como missão promover esse dom, criando um vetor que se retroalimenta e produz o sentido de viver. De modo especial, os campos da educação e da cultura têm muito a contribuir nesse processo. A escola não pode se dedicar exclusivamente à chamada “educação formal” e desconhecer o mundo real, muitas vezes conturbado, da vida juvenil. Essa consideração vale também para Igrejas que, para além de proselitismos, “emocionalismos” e mesquinhos interesses pecuniários, têm o dever de ser autênticos centros de espiritualidade. Ambientes que, a partir de projetos e celebrações, capacitem as pessoas para o viver. Juntos, de mãos dadas, que todos se empenhem na prevenção do suicídio, buscando enfrentar tudo o que está contramão da vida.